Do mais antigo não sabia nada há 25 anos. Eu tinha 15, ele 14, e fomos o primeiro grande amor um do outro. Durou 1 intensíssimo ano e depois seguimos os nossos caminhos. Até ao mês passado. O outro a seguir nunca desapareceu completamente mas não nos viamos há uns 8 anos e não nos falávamos há uns 4... Reapareceu o mês passado.
O mais recente foi o maior furacão da minha vida e desapareceu como apareceu, sem deixar rasto, há 7 anos. Voltou o mês passado.
No mesmo mês, homens que um dia fizeram parte de mim, da minha vida, do meu acordar, do meu respirar, surgem-me nos caminhos do virtual. Na net nada se perde, tudo se transforma. Estamos todos lá e lá todos nos cruzamos.
Não houve encontros, nem olhos nos olhos, nem mãos a tocarem-se, nem pulsações aceleradas. Apenas posts, mails, fotos paradas, pedidos de amizade.
Depois retomámos o deslizar rotineiro do sossego. Mantêm-se afastados. Não sei o que fui nem quanto fui para eles. Sei o que foram e quanto foram para mim.
Cada um, a possibilidade de um caminho diferente, de vidas alternativas que nunca foram. Cada um, um nome tatuado nas minhas memórias. Não só o nome. Os olhos, os sorrisos, os beijos, longos abraços, longos planos, sonhos que morreram ou que matámos.Mas eu estou aqui e eles estão aqui. O primeiro amor, artista, o primeiro amante, sobredotado, o primeiro (e único) salto no precipício sem corda, soldado.
Farão parte de mim até ao fim. São meus. E eu deles.
A escola onde (acho que) fiz a minha 2ª classe, em Lourenço Marques. Pelo menos, é esta a imagem exacta que tenho nas minhas memórias. Agora chama-se Colégio Barroso.
A feira do pau preto, em Nampula. Não mudou nadinha, era mesmo assim quando por lá passeávamos aos fins-de-semana à tarde.
As árvores de sumauma! Juntávamos os bocados fofos à cara só para os sentir...
E, claro, o mar... Como esquecer o mar de moçambique? Abria-nos os braços e recebia-nos. Aqui, Nacala.



























Ele sonha com um caminho claro, iluminado por uma doce luz azul. A floresta densa espreita dos dois lados, mas parece quase distraída. Há um estranho candeeiro pendurado do lado direito, que parece querer acompanhá-lo. Ao fundo as nuvens escurecem o céu. Mas ele acha que consegue vencer a angústia e atravessar para o outro lado. O da luz.
A floresta acordou enloquecida. Cresce e agiganta-se por cima dele. Agita-se em vendaval. Tenta absorvê-lo para a escuridão e o candeeiro-companheiro desapareceu. A suave luz azul também. Tudo se desfoca e ele cambaleia.
O azul rebenta em ondas poderosas que hão-de chegar a ele. Já chegaram às árvores, desfizeram-nas em pó. Ele será o próximo. Sente-se perdido e recua, recua, recua, para o fundo do sonho. Onde está a porta?
Fechou a porta atrás de si e respira fundo. Olha a superfície lisa do mar (ah, o azul), a pequena árvore amigável e quase sente paz. Tenta ignorar o abismo negro lá ao fundo, a angústia. Pelo menos por agora, parece bem longe.





