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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Dare to Dream


Dare to dream of far off lands,
Dream of deserts, covered in sand.
Dream of rainforests, trees high above
Dream of finding your one true love.

Dare to dream of lies or the truth,
Dream of never losing your youth.
Dream of battles, dream of a spark.
Dream of light, a light in the dark.

Dare to dream of fighting and sadness,
Dream of men, succumbed to madness.
Dream of warmth and heat and flame,
Dream that your life is just a game.

Dare to dream of hate and mistrust,
Dream of all that’s true and just.
Dream of drowning, drowning in the sea,
Dare to dream of dreaming, yes dare to dream with me.

Lexi Smith

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Loucura?

Ele sonha com um caminho claro, iluminado por uma doce luz azul. A floresta densa espreita dos dois lados, mas parece quase distraída. Há um estranho candeeiro pendurado do lado direito, que parece querer acompanhá-lo. Ao fundo as nuvens escurecem o céu. Mas ele acha que consegue vencer a angústia e atravessar para o outro lado. O da luz.

A floresta acordou enloquecida. Cresce e agiganta-se por cima dele. Agita-se em vendaval. Tenta absorvê-lo para a escuridão e o candeeiro-companheiro desapareceu. A suave luz azul também. Tudo se desfoca e ele cambaleia.

O azul rebenta em ondas poderosas que hão-de chegar a ele. Já chegaram às árvores, desfizeram-nas em pó. Ele será o próximo. Sente-se perdido e recua, recua, recua, para o fundo do sonho. Onde está a porta?

Fechou a porta atrás de si e respira fundo. Olha a superfície lisa do mar (ah, o azul), a pequena árvore amigável e quase sente paz. Tenta ignorar o abismo negro lá ao fundo, a angústia. Pelo menos por agora, parece bem longe.

Isaac Liberato nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1906, filho único de um velho e rico negociante. Viveu isolado até os oito anos, longe do convívio com outras crianças. Aos nove anos perdeu o pai, ficando sob os cuidados da mãe.
Aos dezenove anos, realizando um sonho de menino, ingressou na Marinha Mercante como radio-telegrafista, fazendo inúmeras viagens nas rotas internacionais.
No intervalo entre essas viagens namorou uma vizinha loura e bonita. Em 1930, voltando de uma viagem à Europa, casou-se com esta jovem. Três meses após o casamento rompe com a esposa. Em Dezembro do mesmo ano é internado no Hospital da Praia Vermelha, com problemas de saúde mental.

Dezesseis anos depois, Isaac começou a frequentar o recém-inaugurado atelier de pintura da Secção de Terapêutica Ocupacional no Hospital de Engenho de Dentro. Isaac é sempre o primeiro a chegar e procura logo o material para iniciar os seus trabalhos, demonstrando grande interesse e prazer em pintar, principalmente telas a óleo. Pintava lentamente e gostava de tocar ao piano, de ouvido, músicas que lembravam Debussy.
A primeira surpresa que a pintura de Isaac nos traz é a flagrante diferença entre a sua linguagem verbal e sua linguagem plástica. Ele raramente constrói proposições – a sua linguagem é agramatical e cheia de neologismos. Entretanto, através da linguagem plástica, narra uma história diretamente compreensível e concatenada, que jamais verbalizaria.
Desde o início, as suas pinturas já prenunciavam o desenvolvimento artístico que ele alcançaria ao longo do tempo, como fica evidente nas paisagens onde se vê a sua procura em reter os reflexos mutáveis da luz e descobrir as nuances das cores.
Entre as diversas temáticas que aparecem na sua pintura destaca-se constantemente a figura da mulher sob mil formas.
No dia 6 de julho de 1966, Isaac chegou ao atelier, como de costume, por volta das oito e meia. Na sua terceira pintura, retrata a última imagem da mulher amada. Pintura inacabada. Isaac morre com o pincel na mão, vítima de enfarte do miocárdio.