Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Em cada dia amor



em cada dia de verão amor
em que acordas e a luz intensa se reflecte nos teus olhos escuros
e o calor te roça a pele morena do peito
e tu admites com um suspiro de prazer
que pode ser um dia feliz

em cada dia de inverno amor
em que o som da chuva te acorda como música
e as nuvens escuras lá fora te põem sombras no relevo do corpo
e tu admites com um suspiro de bem estar
que pode ser um dia equilibrado

em cada dia de primavera amor
em que o cheiro das árvores em flor te acorda com um sorriso
e a natureza em renascimento te retesa os músculos de expectativa
e tu admites com um suspiro de energia incontida
que pode ser um dia de conquista

em cada dia de outono amor
em que o rio se agita de madrugada quando chegas ao cais
e o vento vindo de tão longe te arrepia os poros
e tu admites com um suspiro de segurança
que pode ser um dia de estabilidade

em cada um desses dias amor
em que acordas para o mundo e suspiras
e admites que é possível viver longe de mim

em que nas manhãs de verão amor
não passas a mão ao de leve pelo suor da minha pele adormecida
em que nas manhãs de inverno amor
não colas ao meu corpo o calor urgente do teu
em que nas manhãs de primavera amor
não te alimentas do meu sorriso apaixonado quando te olho ao acordar
em que nas manhãs de outono amor
não me prometes o mundo num olhar profundo

em cada momento que vives amor
e a saudade da minha voz não te tolhe
nem a dor da minha ausência te paralisa
nem a memória do meu corpo te constrange
nem a recordação do meu riso te faz chorar

em cada manhã dessas amor
eu desapareço um pouco mais no horizonte do sonho
eu afasto-me um pouco mais no mar do esquecimento
eu dissolvo-me um pouco mais na bruma do futuro

eu sou cada vez mais e maior
um esquecimento abandonado
no labirinto de altos muros cinzentos
da tua realidade
onde suspiras em cada manhã, confortável
e admites que podes viver mais um dia
sem mim
(on 2011, Mai, 21)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Dare to Dream


Dare to dream of far off lands,
Dream of deserts, covered in sand.
Dream of rainforests, trees high above
Dream of finding your one true love.

Dare to dream of lies or the truth,
Dream of never losing your youth.
Dream of battles, dream of a spark.
Dream of light, a light in the dark.

Dare to dream of fighting and sadness,
Dream of men, succumbed to madness.
Dream of warmth and heat and flame,
Dream that your life is just a game.

Dare to dream of hate and mistrust,
Dream of all that’s true and just.
Dream of drowning, drowning in the sea,
Dare to dream of dreaming, yes dare to dream with me.

Lexi Smith

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os sonhos que escrevemos

hoje estou aqui sentada ao pé da janela aberta
passam as horas lá fora cheias de luz, já é verão
eu sozinha a trabalhar, a traduzir
passam as horas cá dentro, no fundo de mim, cheias de sombra
é o meu futuro que não consigo traduzir
que língua falam os sentimentos
a dor
a esperança e o desalento
a angústia, a impotência
que língua fala a força que não tenho
que língua fala a coragem que não tens
de sonhar
que língua está por inventar que nos una na vida
como nos corpos e nos espíritos já nos uniu
que dicionário usar para te abrir
que fórmulas ancestrais escrever sem lhes conhecer o significado
só à espera que te façam chegar
com os sonhos que escrevemos
traduzidos
pelo teu amor
em realidade

(on 2011,Jun,23)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Crepúsculo


desce o crepúsculo
por entre os ramos despidos das árvores
silhuetas negras contra o azul-chumbo do céu
desce uma tristeza imemorial
de outros anoiteceres
perdidos no tempo

uma estepe infinita
aguarda os passos lentos dos que caminham
no silêncio da noite que chega
trazendo a verdade e a solidão
que a luz esconde e queima enquanto é dia

(on 2011,Jan,11)

sábado, 18 de junho de 2011

Não sei o que dizer


não sei o que dizer sobre hoje
que a magia se repete e se reinventa
na penumbra avermelhada
e os olhos brilham-nos
iluminados por essa corrente de intensidade estrelar
que nos percorre as veias como autoestradas na noite
a velocidades proibidas
e intensidades (quase) insuportáveis

o amor morre de amor
e o desejo renasce em cada vez que morremos de amor
nos beijos engolimo-nos
abrimo-nos, rasgamo-nos
nos beijos pomos o desespero da fusão que na verdade não acontece
e quando tu entras em mim
quieto, parado, imaterial
e ficamos em gravidade zero, entre o céu e a terra
eu sinto a alma a esvair-se de mim
a partir ao encontro do seu destino
do qual não faço parte
porque sou demasiado pesada, física, material
não voo como ela, não flutuo, não atravesso as paredes do tempo e do espaço
não circulo nesse mundo de almas a que ela aspira, para onde me foge
a encontrar-se com a tua
e nós ficamos cá em baixo
mortos, sem alma
dois corpos no silêncio
do que não pode ser dito
nem perguntado nem gritado

abre-se uma tela gigante nos meus olhos
enquanto as tuas mãos me percorrem devagar
uma bicicleta que desce a rua
um baloiço que sobe às nuvens
uma filigrana de pássaros e plantas em cores e dourados
sorrisos que o tempo suspendeu há tempo demais
mas que insistem em voltar uma e outra vez

tu abraças-me num círculo apertado
e eu não sei porque é que parece que há um infinito entre nós
no meio de nós
colo-me a ti, colo a minha mão ao teu coração com força
procuro o segredo que há-de abrir todas as portas
convoco toda a energia que me habita
quero explodir em milhões de estrelas que caiam sobre ti
e ao caírem na areia desta ilha
onde subitamente nos encontramos, frente ao mar
escrevam à tua volta, em letras de fogo
a resposta que há-de ser o caminho

(on 2010,Nov,10)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O passado de repente saltou-me ao caminho...


Do mais antigo não sabia nada há 25 anos. Eu tinha 15, ele 14, e fomos o primeiro grande amor um do outro. Durou 1 intensíssimo ano e depois seguimos os nossos caminhos. Até ao mês passado.

O outro a seguir nunca desapareceu completamente mas não nos viamos há uns 8 anos e não nos falávamos há uns 4... Reapareceu o mês passado.


O mais recente foi o maior furacão da minha vida e desapareceu como apareceu, sem deixar rasto, há 7 anos. Voltou o mês passado.

No mesmo mês, homens que um dia fizeram parte de mim, da minha vida, do meu acordar, do meu respirar, surgem-me nos caminhos do virtual. Na net nada se perde, tudo se transforma. Estamos todos lá e lá todos nos cruzamos.

Não houve encontros, nem olhos nos olhos, nem mãos a tocarem-se, nem pulsações aceleradas. Apenas posts, mails, fotos paradas, pedidos de amizade.

Depois retomámos o deslizar rotineiro do sossego. Mantêm-se afastados. Não sei o que fui nem quanto fui para eles. Sei o que foram e quanto foram para mim.


Cada um, a possibilidade de um caminho diferente, de vidas alternativas que nunca foram. Cada um, um nome tatuado nas minhas memórias. Não só o nome. Os olhos, os sorrisos, os beijos, longos abraços, longos planos, sonhos que morreram ou que matámos.

Mas eu estou aqui e eles estão aqui. O primeiro amor, artista, o primeiro amante, sobredotado, o primeiro (e único) salto no precipício sem corda, soldado.

Farão parte de mim até ao fim. São meus. E eu deles.








terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O meu menino é d' oiro

.
O meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro

Hei-de levá-lo no meu veleiro.
Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do meu menino, do meu menino
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

Quantos sonhos ligeiros
p'ra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
Quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo.

Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino
Nasceu p'r'amar
Venham comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

O meu menino é d'oiro
É d'oiro é de oiro fino ....

Venham altas montanhas
Ventos do mar ....

Hoje também faz alguns anos que descobri, como uma luz, o amor incondicional. Um amor que nos faz querer ser maior, melhor, mais forte, invencível. Que nos faz querer ser a casa e a rua, a terra e o céu, a alegria e a tristeza, a cura, o ombro, o riso, a esperança, a magia. E, no meio disto tudo, a maior felicidade é sempre a nossa...

Obrigada Zeca Afonso. Obrigada Picasso.