
não sei o que dizer sobre hoje
que a magia se repete e se reinventa
na penumbra avermelhada
e os olhos brilham-nos
iluminados por essa corrente de intensidade estrelar
que nos percorre as veias como autoestradas na noite
a velocidades proibidas
e intensidades (quase) insuportáveis
o amor morre de amor
e o desejo renasce em cada vez que morremos de amor
nos beijos engolimo-nos
abrimo-nos, rasgamo-nos
nos beijos pomos o desespero da fusão que na verdade não acontece
e quando tu entras em mim
quieto, parado, imaterial
e ficamos em gravidade zero, entre o céu e a terra
eu sinto a alma a esvair-se de mim
a partir ao encontro do seu destino
do qual não faço parte
porque sou demasiado pesada, física, material
não voo como ela, não flutuo, não atravesso as paredes do tempo e do espaço
não circulo nesse mundo de almas a que ela aspira, para onde me foge
a encontrar-se com a tua
e nós ficamos cá em baixo
mortos, sem alma
dois corpos no silêncio
do que não pode ser dito
nem perguntado nem gritado
abre-se uma tela gigante nos meus olhos
enquanto as tuas mãos me percorrem devagar
uma bicicleta que desce a rua
um baloiço que sobe às nuvens
uma filigrana de pássaros e plantas em cores e dourados
sorrisos que o tempo suspendeu há tempo demais
mas que insistem em voltar uma e outra vez
e eu não sei porque é que parece que há um infinito entre nós
no meio de nós
colo-me a ti, colo a minha mão ao teu coração com força
procuro o segredo que há-de abrir todas as portas
convoco toda a energia que me habita
quero explodir em milhões de estrelas que caiam sobre ti
e ao caírem na areia desta ilha
onde subitamente nos encontramos, frente ao mar
escrevam à tua volta, em letras de fogo
a resposta que há-de ser o caminho



A escola onde (acho que) fiz a minha 2ª classe, em Lourenço Marques. Pelo menos, é esta a imagem exacta que tenho nas minhas memórias. Agora chama-se Colégio Barroso.
A feira do pau preto, em Nampula. Não mudou nadinha, era mesmo assim quando por lá passeávamos aos fins-de-semana à tarde.
As árvores de sumauma! Juntávamos os bocados fofos à cara só para os sentir...
E, claro, o mar... Como esquecer o mar de moçambique? Abria-nos os braços e recebia-nos. Aqui, Nacala.






















