sábado, 25 de junho de 2011

Que dias são

que dias são estes que me entram pela janela aberta ao calor

imagens longínquas e de repente tão nítidas que me surgem no vazio

como filmes de 8 mm em telas de pano esvoaçante penduradas na memória

há cheiros que atravessam o espaço e sons, sons antigos que sobreviveram

há risos e olhares que se cruzam em avenidas de terra batida e árvores de flores vermelhas


à minha frente flores árvores jardins

pés nus na erva molhada

corpo que rebola nas encostas escaldantes sem ligar à velocidade

o mundo inteiro roda na minha cabeça

volto a ser todas as que fui porque já não sei qual sou qual serei


queria abrir a janela e voar

pegar numa mochila e partir

sentar-me ao volante numa fuga sem fim

queria que o ar quente abrisse oasis na estrada

areia areia sem fim pegadas e mais pegadas

e abrir os olhos e sentir neles o azul líquido do mar

ver a vida translúcida de sonhos e felicidade

como só naquela idade só naquela


que dias são estes (agora) que me entram pela janela aberta ao calor

e me prometem portas que nunca abrem e janelas inacessíveis

que dias são


(on today)



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